domingo, 16 de fevereiro de 2014

Pescaria Noturna



O pesqueiro, magnífico ao entardecer nublado: dois lagos amplos no vale plano, o verde da Serra do Japi em redor, palmeiras e ipês amarelos enfileirados à esquerda, um campo rebordado de capim rosa à direita, uma casa de fazenda espalhada na encosta ao longe. Isso aqui é o sul da França, falei, planejando voltar num dia ensolarado pra fotografar e desenhar a paisagem.
Aí o breu da noite desceu, uns bêbados se ajuntaram na lanchonete a alguma distância, ao som de música horrível, falando aos berros e cantando desafinados, incansáveis. Trancada no carro com um livro passei muita raiva, até às três horas da madrugada. Lembrei uma sequência cinematográfica em que a Mulher-Gato derruba a porta de uma festa pauleira, estraga o aparelho de som com a mangueira de chopp e derruba um bando de agressores.
O marido opinou: A roupa da Mulher-Gato a gente até pode providenciar, só não garanto deixar o bando no chão...
Em casa enfim apaguei, mas o sono foi ruidoso, com sonhos perturbadores de violência e bullying, em que umas moças japonesas de perfeitos cabelos chapados zombavam do meu pixaim. E então num clic o sonho me trouxe um grupo de sete chineses gordos a me entregar comida do China in Box, estranhamente cada qual com uma caneca de alumínio, e eram tão trapalhões que quase me mataram de rir, acordei às gargalhadas; dez e meia da manhã.
Bom quando acaba bem.